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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Rascunho

Este post vai ser publicado apesar do blog ainda não estar propriamente recuperado da "ressaca". Porque preciso de dar alguma espécie de justificação para o facto de andar a esconder os textos que diziam respeito àquele assunto. Talvez soe a cobardia. Não. Já não há motivos para ser cobarde. Aprendi apenas que os sentimentos humanos são demasiado complexos para os esquecermos assim à vista de todos - especialmente quando expomos apenas parte deles. Porque podem magoar. Assim, apesar de estas coisas já terem sido lidas várias vezes por várias pessoas, vou escondê-las para que não possam ser lidas novamente. Arrisco-me a que o blog, assim esvaziado de lágrimas, se torne completamente fútil, mas não há volta a dar.

Na vida real não há gente boa nem gente má. Existe apenas um monte de pessoas perdidas em sentimentos que, no fundo, são sempre os mesmos. Entre amor e ódio, raiva e compaixão, felicidade e angústia, orgulho e frustração, todos sentimos da mesma maneira. Mas olhamos sempre para dentro e esquecemo-nos de nos tentar compreender uns aos outros. Por isso, qual é essa necessidade de partilhar o que nos vai na alma, quando isso que está lá bem no interior é comum a quase todos os seres humanos?

Prometo apenas - regressando a mim - que, por cima disto tudo, tentarei encontrar alguma paz de alma. Sobre a impossibilidade de ser feliz perante um mundo emerso no absurdo e no horror para o qual eu também vou contribuindo, prometo procurar um caminho que conduza, enfim, a essa paz!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Para o Coração

Abre os olhos, amigo. A felicidade está aí, mesmo à tua frente: tão perto que basta que estiques o braço para a alcançares. Mas cuidado, pois ela é fugidia!

CUIDADO!

Oh, não... Apertaste-a com demasiada força e agora os teus olhos tristes não têm outra hipótese senão vê-la afastar-se cada vez mais. Os teus braços, cansados, estendem-se para o infinito, onde observam o esvair daquela diminuta réstia de esperança por um futuro com algum sentido. Perante esta constatação insuportável, - de que não vais ser feliz, - o teu corpo contrai-se, numa ânsia desesperada de utopia.

"E agora?", sussurras tu, escondido no meio da solidão, em plena consciência de que não te chegará nenhuma resposta - porque não há ninguém que te ouça. E deixas-te ficar imóvel, ali, sem saber bem onde, durante horas intermináveis; e quem diz horas não sabe se terão sido dias, ou meses, ou talvez anos. Entretanto, a tua mente inquieta revolve todos os pensamentos que te assombraram até hoje, sem te permitir um segundo de descanso.

Por fim, decides que está na altura de te levantares. Durante todo este tempo, sentiste-te um escravo frágil e melancólico do infortúnio.

"E agora?", voltas a perguntar. No entanto, já sabes que existe de facto uma pessoa que te pode responder: tu.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Inspiração

Hoje apetece-me escrever mas não tenho assunto. Há dias em que estou sozinha, sem qualquer meio de anotar as minhas ideias, mas elas brotam cá de dentro, provocando em mim uma frustração terrível, porque sei que quando chegar a oportunidade de as anotar já me esqueci delas. E às vezes até estou em casa, à frente do computador ou de uma folha de papel, só que os pensamentos fluem tão rápido que não chego a passá-los a escrito. Ou então são tantos que é preciso escolher o tema que dê para desenvolver mais. E em certos momentos, não documento as ideias apenas por falta de vontade.

Mas hoje não... Hoje quero mas não consigo. Só me saíram frases frouxas quando procurei escrever sobre coisas que não sinto. E o sofrimento e a angústia tornaram-se obsoletos. Acho que se esgotaram as palavras.

Sim, é isso. Esgotaram-se as palavras.

domingo, 29 de julho de 2007

É Verão

Está calor. No Inverno, as coisas são mais frias, as pessoas são mais racionais. O Verão é o tempo das loucuras, porque não pensamos tanto. É Verão e não me apetece pensar. Quero fazer parvoíces.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Saudade

Saudade... palavra demasiado restrita para descrever todas as sensações que nos preenchem quando sentimos a falta de alguém. Ao mesmo tempo, é demasiado vaga, pois não não admite o facto de cada pessoa viver essa falta de maneira diferente.

Por isso, ao contrário do que dizem os músicos e os poetas, considero esta palavra bastante feia. Ou melhor, é horrível, porque descreve um estado de alma perturbador. E sorte têm aqueles cujo idioma não lhes permite nomeá-lo, porque limitam-se a sentir a falta, não têm saudade. Ter saudades implica pensar na palavra no seu todo, inclui o esforço inútil de repeti-la vezes sem conta à espera de lhe esgotar o sentido.

Mas a saudade é uma palavra cruel. Não é como as demais, que se transformam numa mera confusão de sílabas se forem repetidas muitas vezes. Não. Esta é talvez a única que se torna mais real à medida que a vamos repetindo na nossa mente. Mais real e mais dolorosa. Porque cada repetição custa mais que a anterior, mas quanto mais a dizemos mais difícil é parar.

Sim. Quanto mais a pensamos, mais ela nos magoa. Senti-la sem o auxílio da mente é saborear uma tristeza inocente, uma melancolia doce, que guiam pelo rosto algumas lágrimas suaves. Mas quando se tenta encontrar o motivo desses sentimentos, quando se começa a pensar, o choro alastra, num surto violento e amargo, enquanto a melancolia dá lugar a um insuportável nó na garganta.

Porque ter saudade desta maneira é assumir que não conseguimos ser felizes face à ausência daqueles que amamos. A menos, é claro, que deixemos de os amar. Mas isso...

Imagem
Experiência para um trabalho de Fotografia
Local: Carcavelos
Modelo: Andreia Fernandes (:P)
Poema: Ode Marítima, Álvaro de Campos

sábado, 21 de julho de 2007

A constatação

Há um dia em que acordo e nada do que me rodeia parece fazer sentido. As pessoas, as coisas, os gestos, as conversas, as emoções; é tudo vazio. Não encontro motivos para me prender à vida, mas também não há razões para me libertar dela. Seguem-se horas silenciosas e dias vagos, deitada na cama de olhos fixos no tecto branco e despido, que é igual a tudo o resto. Porque fique ou não fique nesta letargia, o mundo continuará a funcionar sem a minha presença, as pessoas seguem os seus caminhos e a sociedade evolui como sempre evoluiu. A minha importância é ilusória, já que há outros que podem fazer o que eu faço tão bem ou melhor que eu.

E depois dizem que se toda a gente se deixar levar pela minha passividade, nada funciona, ninguém faz nada, a vida não anda para a frente. MENTIRA! Tal situação é inconcebível, porque há sempre quem trabalhe, quem seja suficientemente forte para não se deixar cair no estado depressivo em que eu me encontro. E os que não têm força encontram outros meios de se aguentar: ideiais, sonhos, religiões...

Mas eu não. Eu já não tenho religião e estou a livrar-me dos princípios que ela me transmitiu, incluindo aquele que insiste no sentido da vida. Se já não é um deus desconhecido que justifica a minha existência, se já não há nada que a justifique, então porquê viver? Porquê morrer? Porquê SENTIR?

No entanto, estes pensamentos abandonam-me a pouco e pouco. À medida que reconstruo a minha vida, percebo que a necessidade de sentido é uma ilusão. Vivo e pronto. Estou aqui por uma mera sucessão de fenómenos biológicos e sociais que me criaram e transformaram na pessoa que sou. Trata-se agora de jogar com as condições que me foram impostas e que eu própria coloquei para construir uma espécie de percurso. O sentido, é cada um de nós que o faz. A própria "sucessão de fenómenos" a que me referi integra a história de vida que os meus pais criaram para eles próprios e que lhes dá vontade de continuar a viver.

De facto, a vida pode ser encarada como um jogo de oportunidades desiguais. Cada um usa o que tem para ser quem quiser, dentro dos limites que lhe foram impostos.

Não há nenhum sentido predefinido. Tenho que ser eu a criá-lo, por isso decido deixar de olhar para o tecto e fixar um objectivo. Nem que esse seja deixar-me levar - que não é.

terça-feira, 10 de julho de 2007

A raiz do sofrimento

Sabes, adorava não ter sentimentos, amorosos claro, adorava nunca mais me apaixonar e ser feliz com a família e amigos!!! Os tipos só nos fazem sofrer!!

Não, eles fazem-nos felizes. Mas quando essa felicidade acaba, nós achamos que estamos a sofrer, porque já não sentimos a euforia que nos habituámos a sentir. Mas a verdade é que estamos iguais àquilo que estávamos antes de nos apaixonarmos. Só que o nosso coração cresceu para os poder guardar lá... E quando eles saíram, ficou vazio.

O sofrimento só dura enquanto o coração encolhe até ao tamanho normal: depois fica tudo bem. Mas se preenchermos o vazio deixado por uma pessoa com outra, não demos ao coração tempo para encolher. E ele vai ficar sempre daquele tamanho. Vai ficar sempre vazio quando não tivermos ninguém para preencher o espaço deixado por alguém,

Um dia.

(saiu espontâneo numa conversa do msn com a Andreia)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Recordação de um lugar

Todos os dias passo por ti, mas é como se não te conhecesse. Hoje as pessoas são tão diferentes e tão iguais... Só passaram dois anos, mas sinto que foi outra vida que vivi. Restam-me poucas memórias desse tempo - talvez as recordações dos únicos bons momentos que me foi possível aproveitar.

Sim, foi outra vida. A pessoa que tu viste não era eu. Essa andará perdida por lugares de onde ninguém a consegue trazer de volta. E certamente prefere ficar por lá. Foste tu que lhe incutiste o medo de regressar.

Eu sou apenas o espaço vazio que ficou no lugar dela.

E tu és uma lembrança ténue e distorcida de um tempo que nunca passou, porque quem viveu esses dias já não existe.

sábado, 19 de maio de 2007

Insónia

Preparo-me para mais uma noite de desespero. O cansaço desliza pelas minhas pálpebras semicerradas, procurando lugar para o sono.

Mas tu não queres nada comigo. Parecem ter passado anos desde que me provocas pelas horas de escuridão, fugindo sempre que te aproximas mais do que o esperado. Quero-te e odeio-te ao mesmo tempo, porque me causas esta sensação angustiante de estômago vazio. É que a culpa é tua quando chego às aulas com os olhos inchados e as olheiras ainda mais negras do que no dia anterior. Porque deixas no ar uma promessa nunca formulada, nunca cumprida.

Amo-te. Repugno-te. Vai-te embora! Não, não vás! Fica! Mas aproxima-te o suficiente para que toques o meu corpo, invadindo-o com aquela dormência, que me leva ao esquecimento durante umas poucas horas, antes de acordar outra vez.

Acordar! Acordar é ceder novamente à tua chantagem. Se, enfim, chegar o dia em que venhas ter comigo, vou deixar-te envolver-me nos teus braços. Para sempre.

Sono, sono, maldito sono, por que me queres tu neste estado? Deixa-me dormir! Deixa-me...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Confusão

À minha volta, o mundo transforma-se. Passam palavras, pessoas, momentos, e eu deixo-me levar por eles. Mas não me apercebo. Quando acordo, está tudo diferente. E sinto-me perdida. Estou sentada num banco, num lugar desconhecido, no meio de uma tempestade. Vêem-me as lágrimas aos olhos e nem sei bem porquê. Não compreendo.

E lembro-me de dias mais felizes, em que tudo era certo e inevitável, em que parecia que os meus planos se concretizavam assim, quase sem esforço. Na verdade, caiu tudo por terra porque eu parei de me esforçar. Acomodei-me à suposta "sorte" e pensei que não era preciso lutar mais, porque as coisas viriam ter comigo sozinhas. O que aconteceu, mas só durante algum tempo. Pois esse tempo de tolerância acabou.

E enganei-me! Profundamente. A chuva adensa-se em meu redor e não vai parar tão cedo. Não posso esconder-me, porque não sei para onde ir.

Mas esta crise estúpida vai passar. É só mais uma em muitas. Enfim.