domingo, 29 de julho de 2007

É Verão

Está calor. No Inverno, as coisas são mais frias, as pessoas são mais racionais. O Verão é o tempo das loucuras, porque não pensamos tanto. É Verão e não me apetece pensar. Quero fazer parvoíces.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Saudade

Saudade... palavra demasiado restrita para descrever todas as sensações que nos preenchem quando sentimos a falta de alguém. Ao mesmo tempo, é demasiado vaga, pois não não admite o facto de cada pessoa viver essa falta de maneira diferente.

Por isso, ao contrário do que dizem os músicos e os poetas, considero esta palavra bastante feia. Ou melhor, é horrível, porque descreve um estado de alma perturbador. E sorte têm aqueles cujo idioma não lhes permite nomeá-lo, porque limitam-se a sentir a falta, não têm saudade. Ter saudades implica pensar na palavra no seu todo, inclui o esforço inútil de repeti-la vezes sem conta à espera de lhe esgotar o sentido.

Mas a saudade é uma palavra cruel. Não é como as demais, que se transformam numa mera confusão de sílabas se forem repetidas muitas vezes. Não. Esta é talvez a única que se torna mais real à medida que a vamos repetindo na nossa mente. Mais real e mais dolorosa. Porque cada repetição custa mais que a anterior, mas quanto mais a dizemos mais difícil é parar.

Sim. Quanto mais a pensamos, mais ela nos magoa. Senti-la sem o auxílio da mente é saborear uma tristeza inocente, uma melancolia doce, que guiam pelo rosto algumas lágrimas suaves. Mas quando se tenta encontrar o motivo desses sentimentos, quando se começa a pensar, o choro alastra, num surto violento e amargo, enquanto a melancolia dá lugar a um insuportável nó na garganta.

Porque ter saudade desta maneira é assumir que não conseguimos ser felizes face à ausência daqueles que amamos. A menos, é claro, que deixemos de os amar. Mas isso...

Imagem
Experiência para um trabalho de Fotografia
Local: Carcavelos
Modelo: Andreia Fernandes (:P)
Poema: Ode Marítima, Álvaro de Campos

sábado, 21 de julho de 2007

A constatação

Há um dia em que acordo e nada do que me rodeia parece fazer sentido. As pessoas, as coisas, os gestos, as conversas, as emoções; é tudo vazio. Não encontro motivos para me prender à vida, mas também não há razões para me libertar dela. Seguem-se horas silenciosas e dias vagos, deitada na cama de olhos fixos no tecto branco e despido, que é igual a tudo o resto. Porque fique ou não fique nesta letargia, o mundo continuará a funcionar sem a minha presença, as pessoas seguem os seus caminhos e a sociedade evolui como sempre evoluiu. A minha importância é ilusória, já que há outros que podem fazer o que eu faço tão bem ou melhor que eu.

E depois dizem que se toda a gente se deixar levar pela minha passividade, nada funciona, ninguém faz nada, a vida não anda para a frente. MENTIRA! Tal situação é inconcebível, porque há sempre quem trabalhe, quem seja suficientemente forte para não se deixar cair no estado depressivo em que eu me encontro. E os que não têm força encontram outros meios de se aguentar: ideiais, sonhos, religiões...

Mas eu não. Eu já não tenho religião e estou a livrar-me dos princípios que ela me transmitiu, incluindo aquele que insiste no sentido da vida. Se já não é um deus desconhecido que justifica a minha existência, se já não há nada que a justifique, então porquê viver? Porquê morrer? Porquê SENTIR?

No entanto, estes pensamentos abandonam-me a pouco e pouco. À medida que reconstruo a minha vida, percebo que a necessidade de sentido é uma ilusão. Vivo e pronto. Estou aqui por uma mera sucessão de fenómenos biológicos e sociais que me criaram e transformaram na pessoa que sou. Trata-se agora de jogar com as condições que me foram impostas e que eu própria coloquei para construir uma espécie de percurso. O sentido, é cada um de nós que o faz. A própria "sucessão de fenómenos" a que me referi integra a história de vida que os meus pais criaram para eles próprios e que lhes dá vontade de continuar a viver.

De facto, a vida pode ser encarada como um jogo de oportunidades desiguais. Cada um usa o que tem para ser quem quiser, dentro dos limites que lhe foram impostos.

Não há nenhum sentido predefinido. Tenho que ser eu a criá-lo, por isso decido deixar de olhar para o tecto e fixar um objectivo. Nem que esse seja deixar-me levar - que não é.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Gato que brincas na rua

"Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu."

Fernando Pessoa

terça-feira, 10 de julho de 2007

A raiz do sofrimento

Sabes, adorava não ter sentimentos, amorosos claro, adorava nunca mais me apaixonar e ser feliz com a família e amigos!!! Os tipos só nos fazem sofrer!!

Não, eles fazem-nos felizes. Mas quando essa felicidade acaba, nós achamos que estamos a sofrer, porque já não sentimos a euforia que nos habituámos a sentir. Mas a verdade é que estamos iguais àquilo que estávamos antes de nos apaixonarmos. Só que o nosso coração cresceu para os poder guardar lá... E quando eles saíram, ficou vazio.

O sofrimento só dura enquanto o coração encolhe até ao tamanho normal: depois fica tudo bem. Mas se preenchermos o vazio deixado por uma pessoa com outra, não demos ao coração tempo para encolher. E ele vai ficar sempre daquele tamanho. Vai ficar sempre vazio quando não tivermos ninguém para preencher o espaço deixado por alguém,

Um dia.

(saiu espontâneo numa conversa do msn com a Andreia)

domingo, 8 de julho de 2007

Things

A pedido de muitas famílias, aqui vai...

A tartaruga:
A bandelete que é a minha cara:
A carteira que parece uma mala:
Os adereços pretos goth-emo super-fashion:

E...

A encomenda (vem autografado :P)!: