quinta-feira, 21 de junho de 2007

A demanda pelo BI

E lá fui eu pedir o BI novo. Foi uma aventura!

Primeiro, andei às voltas no Areeiro à procura do Arquivo de Identificação, até que decidi perguntar. E a senhora apontou para o outro lado da rua e disse "É ali". Mas tentou explicar-me isto umas cinquenta mil vezes... nos últimos tempos, parece que quando pergunto a localização de algum sítio as pessoas tendem a repetir a resposta mais que uma vez. Deve ser da minha cara de idiota.

E enfim, lá cheguei. Quando tirei a senha, vi que era o número 477, e ainda tinha 37 pessoas à minha frente. Pensei que ia demorar uma eternidade, mas afinal foi SÓ uma hora. Uma hora sentada numa cadeira atrás de um casal que emitia barulhos estranhos. :P

E quando, finalmente, chegou a minha vez, lá entreguei os papéis, assinei o que era preciso e medi-me. Medi-me. Agora tenho 1,61. Dois centímetros a menos que no outro BI. Sinto-me tão... diminuída. LOL

Como eu disse, uma aventura.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Redemoinho

Os prazos e os horários impossíveis de cumprir, as fotografias espalhadas pela casa em que está aquela pessoa macaca que não conheço, os testes e os trabalhos, as noites de insónia passadas a ver e rever filmes com o portátil em cima da almofada, os três quilos a mais e os três quilos a menos, a inteligência que fugiu, a gata que larga pêlo e me faz espirrar, a mudança do clima que dá cabo da pele, a manhã passada a beber chávenas e chávenas de Cappuccino para conseguir estudar, a máscara de argila na cara e os produtos caros que não funcionaram, as roupas velhas que são feias ou são muito largas, o tráfego da internet que já foi ultrapassado há muito, a série de anime que a Ana me emprestou e que vejo sempre que não quero fazer aquilo que tenho mesmo que fazer, o caderno de apontamentos que eu emprestei que tinha desenhos idiotas na última página, os amigos antigos que querem voltar a ser actuais e os actuais que são cada vez mais amigos, e ainda os antigos que sempre foram actuais, os concertos a que não vou porque gastei o dinheiro numa máquina fotográfica, a impossibilidade de me candidatar a Erasmus por causa das notas, as tardes passadas na faculdade sem fazer nada, os telemóveis que estão a dar muita despesa, os vídeos alugados para piratear, a carteira grande que não cabe na mala, a necessidade de shopaholic de comprar roupa e sapatos, o bilhete de identidade que não parece meu, a conta da electricidade, o refúgio nos hidratos de carbono e nos refrigerantes, os livros por ler e os filmes por ver, o computador de secretária por arranjar, o quarto por arrumar, a avó que ralha porque eu não lhe ligo nenhuma, sem perceber que o que eu não gosto é de conversar ao telefone, as candidaturas para outros empregos que não deram nem numa entrevista, as falhas de memória, o medo, o esgotamento, a vontade de ser tudo e a constatação de que não sou nada...

Isto... Isto! E tudo o resto que me esqueci de mencionar por este ou por aquele motivo. Tudo isso gira sem ordem na minha cabeça. Vou e x p l o d i r. Preciso de organizar a minha vida. Passou-se tudo muito rápido. É urgente avaliar os danos causados pelo volume enorme de informação que passou por mim nos últimos meses.

Já tirei as fotografias velhas das molduras cá de casa e prometi substituí-las por outras mais actuais. E amanhã vou entregar os impressos para o bilhete de identidade novo. Não aguento mais olhar para aquela pessoa que eu fui e na qual não me revejo. Vou assumir que tenho uma vida nova. Devo isso a mim própria, à minha família e aos meus amigos, que estão fartos de aturar as minhas crises existenciais.

Mai nada!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Recordação de um lugar

Todos os dias passo por ti, mas é como se não te conhecesse. Hoje as pessoas são tão diferentes e tão iguais... Só passaram dois anos, mas sinto que foi outra vida que vivi. Restam-me poucas memórias desse tempo - talvez as recordações dos únicos bons momentos que me foi possível aproveitar.

Sim, foi outra vida. A pessoa que tu viste não era eu. Essa andará perdida por lugares de onde ninguém a consegue trazer de volta. E certamente prefere ficar por lá. Foste tu que lhe incutiste o medo de regressar.

Eu sou apenas o espaço vazio que ficou no lugar dela.

E tu és uma lembrança ténue e distorcida de um tempo que nunca passou, porque quem viveu esses dias já não existe.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Wise up