Saudade... palavra demasiado restrita para descrever todas as sensações que nos preenchem quando sentimos a falta de alguém. Ao mesmo tempo, é demasiado vaga, pois não não admite o facto de cada pessoa viver essa falta de maneira diferente.
Por isso, ao contrário do que dizem os músicos e os poetas, considero esta palavra bastante feia. Ou melhor, é horrível, porque descreve um estado de alma perturbador. E sorte têm aqueles cujo idioma não lhes permite nomeá-lo, porque limitam-se a sentir a falta, não têm saudade. Ter saudades implica pensar na palavra no seu todo, inclui o esforço inútil de repeti-la vezes sem conta à espera de lhe esgotar o sentido.
Mas a saudade é uma palavra cruel. Não é como as demais, que se transformam numa mera confusão de sílabas se forem repetidas muitas vezes. Não. Esta é talvez a única que se torna mais real à medida que a vamos repetindo na nossa mente. Mais real e mais dolorosa. Porque cada repetição custa mais que a anterior, mas quanto mais a dizemos mais difícil é parar.
Sim. Quanto mais a pensamos, mais ela nos magoa. Senti-la sem o auxílio da mente é saborear uma tristeza inocente, uma melancolia doce, que guiam pelo rosto algumas lágrimas suaves. Mas quando se tenta encontrar o motivo desses sentimentos, quando se começa a pensar, o choro alastra, num surto violento e amargo, enquanto a melancolia dá lugar a um insuportável nó na garganta.
Porque ter saudade desta maneira é assumir que não conseguimos ser felizes face à ausência daqueles que amamos. A menos, é claro, que deixemos de os amar. Mas isso...
Imagem
Experiência para um trabalho de Fotografia
Local: Carcavelos
Modelo: Andreia Fernandes (:P)
Poema: Ode Marítima, Álvaro de Campos
Por isso, ao contrário do que dizem os músicos e os poetas, considero esta palavra bastante feia. Ou melhor, é horrível, porque descreve um estado de alma perturbador. E sorte têm aqueles cujo idioma não lhes permite nomeá-lo, porque limitam-se a sentir a falta, não têm saudade. Ter saudades implica pensar na palavra no seu todo, inclui o esforço inútil de repeti-la vezes sem conta à espera de lhe esgotar o sentido.
Mas a saudade é uma palavra cruel. Não é como as demais, que se transformam numa mera confusão de sílabas se forem repetidas muitas vezes. Não. Esta é talvez a única que se torna mais real à medida que a vamos repetindo na nossa mente. Mais real e mais dolorosa. Porque cada repetição custa mais que a anterior, mas quanto mais a dizemos mais difícil é parar.
Sim. Quanto mais a pensamos, mais ela nos magoa. Senti-la sem o auxílio da mente é saborear uma tristeza inocente, uma melancolia doce, que guiam pelo rosto algumas lágrimas suaves. Mas quando se tenta encontrar o motivo desses sentimentos, quando se começa a pensar, o choro alastra, num surto violento e amargo, enquanto a melancolia dá lugar a um insuportável nó na garganta.
Porque ter saudade desta maneira é assumir que não conseguimos ser felizes face à ausência daqueles que amamos. A menos, é claro, que deixemos de os amar. Mas isso...
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Local: Carcavelos
Modelo: Andreia Fernandes (:P)
Poema: Ode Marítima, Álvaro de Campos



1 comentário:
Quem me dera que essa palavra não estivesse com uma presença tão forte na minha vida. Como sabes sinto-a profundamente a cada instante que passa. Mas apesar de tudo, o nosso idioma é o único que deixa que se sinta a falta daquilo que amamos porque de alguma forma o sentimos. Temos sentimentos apenas nossos, os quais não podem ser igualados...tal qual os nossos sentimentos por alguém...por aquela pessoa especial que tanta falta nos faz. E sabes...tenho saudades...
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